Como o passado é mais irônico do que você imagina – Review de Retro Game Challenge

Cosmic Gate, uma paródia de Galaga

Cosmic Gate, uma paródia de Galaga

Desde que entrei nesta nova geração de videogames, (pulei a fase “play 2” completamente) tenho ouvido um verdadeiro batalhão de jogadores veteranos reclamando demais sobre como as produtoras de jogos (e em especial a boa e velha Nintendo) tem focado suas forças nos assim chamados jogos casuais, esquecendo completamente os velhos jogadores, que preferem algo que eles próprios chamam de jogos hardcore. Bom… como eu realmente não vi quase nada das ultimas gerações, fico realmente perdido com a definição de “jogos casuais”. Eis o que o Wikipedia diz sobre esse assunto:

Isto é apenas uma linha porque eu não sei usar as ferramentas de formatação corretamente.

“O termo jogo casual é utilizado para caracterizar jogos digitais acessíveis ao grande público. Diferentemente dos jogos tradicionais que são mais complexos e exigem tempo de dedicação do jogador, os jogos casuais são simples e rápidos de aprender (…)”

Eu caí na mesma armadilha com Tartarugas Ninja 1 para o NES

Eu caí na mesma armadilha com Tartarugas Ninja 1 para o NES

Bom, essa é uma definição que fun- ciona bem, acho eu. Pois nenhum jogador vai pegar o já antes citado no blog God of War III para jogar apenas alguns minutos numa fila de banco, por exemplo. Eis que chega uma versão em inglês de um jogo saído há pouco tempo no Japão, Retro Game Challenge, e eis que ele, além de ser um ótimo jogo, atacando-me diretamente no ponto mais profundo da minha nostalgia, também me fez pensar em como os jogos antigos, se comparados aos de hoje, podem ser considerados como apenas “simples jogos casuais”. Sim, porque o que este jogo me fez perceber é que, por mais que Pac Man, Wonder Boy ou mesmo Mario 1 sejam jogos que muita gente lembre quando quer pensar nas boas épocas da infância (se você tem mais de 15 anos, é claro) ainda sim eles são jogos simples e rápidos de aprender. Pegue qualquer um desses jogos, dê para um garoto de 5 anos e em meia hora ele vai estar jogando como se tivesse nascido para isso.

Robot Ninja Haggle Man... uma chance para adivinhar qual jogo está sendo parodiado

Robot Ninja Haggle Man... uma chance para adivinhar qual jogo está sendo parodiado

“Mas o que esse jogo faz é pegar jogos velhos e colocar no DS? que diabos de divertido há nisso, Sr. Cheetara?” pergunta um leitor-comum. E é uma pergunta muito pertinente, já que RGC não é apenas um remake de jogos velhos. A premissa básica do jogo é que você volte no tempo, na metade dos anos oitenta, para jogar videogame com a versão criança do “chefe” do jogo, uma cara digital gigante chamada Arino. E quando digo voltar nos anos oitenta, essa ideia é realmente levada a sério, já que em todos os pequenos detalhes o jogo imita com perfeição, chegando até a pedir que você assopre uma fita (utilizando o microfone do DS), porque ela não pega muito bem. E os jogos são tudo aquilo que se pode esperar de antiguidades, tão simplórios no início, mas com uma jogabilidade viciante e uma dificuldade maior a cada nova fase (ou a cada continuação). Eu cheguei a ficar quase duas horas tentando matar o último chefe do jogo Robot Ninja Haggle Man 2 e perdi uma madrugada inteira no Star Prince, apenas para descobrir que o que eu achava ser o final da aventura era só sua metade. Mas, para que você não se perca como eu o fiz, todos os jogos vêm com manual completíssimo, sendo até discutido pelo jovem Arino se vale mais a pena ler os manuais antes ou depois de jogar. Mas talvez nada nesse jogo seja mais retrô do que as revistas, e pode apostar que elas são tão ou mais divertidas do que jogar, já que vêm com dicas, macetes (pra usar o termo clássico das revistas dos anos 80) detonados, análises, perguntas dos leitores, editoriais e, surpreendentemente, notícias dos próximos jogos a serem lançados. Sim, você vai vendo lançamentos, algumas seqüências e idéias novas que irão aparecer. Eu, em certo momento do jogo, estava esperando por Guadia Quest, o RPG à la Final Fantasy 1, com a mesma ansiedade que esperei Chrono Trigger para DS. E a cada nova foto ou imagem do jogo liberada na revista eu delirava, assim como a quase 15 anos atrás quando imagens novas de algum jogo me deixavam super animado. Enfim, na proposta “reviver os gloriosos anos 80” RGC se sai, definitivamente, um vencedor com louvor, seja tanto no quesito ambientação como nos jogos propriamente ditos.

E, para terminar esta resenha, venho com um humilde pedido para os assim autodenominados jogadores hardcore, aqueles que terminaram todos os Metal Gears e que adoram Final Fantasy VIII. Eu peço que vocês tentem realmente terminar todos os jogos desta pequena maravilha sem usarem os cheats (que, aliás, estão todos nas revistas), que tentem terminar Star Prince sem continues nem “auto-fire”, apenas com seus reflexos e sua força de vontade.

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