Os dez melhores de 2010 (na minha singela opinião)

Essa é a minha lista pessoal dos dez jogos que mais gostei em 2010. Note que não estou dizendo que eles são necessariamente os melhores. São os dez jogos que, apesar de imperfeições ou problemas, me marcaram e foram mais significativos do que outros.

10- Deadly Premonition

Talvez pareça sacanagem colocar Deadly Premonition nessa lista, tirando a posição de jogos muito bons que mereciam lugares, como Sam & Max: The Devil’s Playhouse e Kirby’s Epic Yarn. No entanto, meu apreço por esse título é absolutamente genuíno. É claro, eu reconheço tudo que há de errado com ele; gráficos terríveis, sistema de combate precário, efeitos sonoros risíveis. No entanto, a maneira como a cidade de Greenvale tem vida, os personagens profundos e bem desenvolvidos e a trama surreal e verossímil fizeram de Deadly Premonition, para mim, um jogo único. É uma pena que muitos irão apenas lembrá-lo como uma piada, pois as qualidades que ele apresenta são de nível verdadeiramente bom, de caráter diferente a quase tudo que existe no meio.

9- Enslaved: Odyssey to the West

Enslaved pode ter um dos piores finais que me vem à memória em tempos recentes, mas isso não muda o fato de que tudo que o precede é maravilhoso. O mundo intrigante, sobre o qual conhecemos mais de pouco em pouco, só é superado pelos personagens principais. Há sutileza em suas ações e emoções, sucesso alcançado igualmente pelos esforços dos atores e da direção. Como disse Tom Bissel no Gaming Club da Slate, “é um videogame no qual os personagens dizem coisas que talvez não sintam e sentem coisas que talvez não digam! É uma história de amor sem que alguém jamais diga “eu te amo.”” Algumas de suas mecânicas são rasas, mas isso não importa. Enslaved é um jogo mais interessante de ser experienciado, e não jogado. E não há nada de errado com isso.

8- Pac-Man Championship Edition DX

Estamos no ano de 2010 e Pac-Man não é apenas novamente relevante, como é também um dos melhores jogos dos últimos tempos. Sem perder sua essência, Championship Edition DX altera a maneira como até então encaramos Pac-Man, transformando o “come-come” em caçador ao invés de caçado. A apresentação moderna apenas complementa esse pacote, que sem que eu percebesse me pegou e me faz passar horas e horas tentando bater o recorde de outros jogadores.

7- Bayonetta

Até o começo desse ano, se você me perguntasse qual era o melhor jogo do gênero hack and slash minha resposta seria automaticamente o primeiro Devil May Cry. Mesmo tendo jogado suas continuações e os God of Wars da vida, nenhum outro jogo jamais me parece tão perfeitamente executado. Os golpes eram todos úteis e na quantidade certa, os inimigos expressavam bem quais seriam seus movimentos através de linguagem corporal sem deixar tudo óbvio e as táticas para se encarar qualquer situação eram variadas e interessantes. E eu achei que essa continuaria sendo minha resposta para sempre, até que Bayonetta apareceu em minhas mãos. Toda a jogabilidade de Devil May Cry foi aprimorada, estando ainda mais justa e sintonizada do que fora antes. Mas, principalmente, é a insanidade – ou o ridículo, se você preferir – que fazem de Bayoneta tudo que ela é. Eu sou automaticamente fã de qualquer coisa que se regojiza no próprio ridículo, mas o jogo da Platinum Games leva isso a níveis que eu não achava serem possíveis, com um resultado fantástico.

6- Starcraft II

Eu nunca fui um grande fã de jogos de estratégia em tempo real por uma razão: eu sou péssimo neles. Por causa disso, sempre me mantive distante do gênero na maior parte do tempo. Eu havia jogado o primeiro Starcraft, mas nunca havia conseguido nem chegar ao final da campanha, o que fez com que eu duvidasse que fosse aproveitar muito sua continuação. Rapaz, como eu estava errado. Em seu cerne, Starcraft II não reinventa a roda, nem altera completamente o estilo. Ele simplesmente pega o que já havia sido feito antes e aprimora, até que o material fique perfeito. As mudanças principais são periféricas à mecânica principal, através da conectividade da Battle.net e da narrativa que acontece na nave de Raynor. São coisas que podem parecer simples, mas fazem com que o jogador se conecte àquele mundo e se identifique com os personagens, algo difícil de ser feito em um gênero no qual não controlamos ninguém em específico – apenas várias unidades, às vezes completamente descartáveis. Mesmo não tendo explorado muito o multiplayer, a campanha de Starcraft II é significativa e mais do que o suficiente para que eu o reconheça como um dos melhores jogos do ano.

5- Limbo

Falar de Limbo é algo complicado pois o jogo suscita sentimentos que não sei direito como explicar. É uma estranha sensação de estar sendo sempre observado, com a expectativa de que algo pule subitamente das sombras, me pegue pela mão e me mostra o mundo em toda sua plenitude, explicando todos os mistérios, lógicas e segredos que por ele se escondem. Ao mesmo tempo, parte do sentimento dita não apenas que isso não pode jamais acontecer, como sabe perfeitamente que isso nunca acontecerá – e se sente feliz e decepcionado que isso seja assim. E, no fim, tudo que resta é caminhar vagarosamente, tentando aproveitar ao máximo o que pode ser visto a cada passo dado. Sei que isso não é claro, mas creio que é exatamente por isso que Limbo é um jogo maravilhoso.

4- Super Mario Galaxy 2

De toda essa lista, Super Mario Galaxy 2 é provavelmente o jogo mais “videogame” de todos. Ele basicamente ignora diversos dos avanços que o meio teve nos últimos anos, mas não digo isso de maneira negativa. Super Mario Galaxy 2 faz isso com consciência, pois ele sabe precisamente o que ele é – um jogo de plataforma, cujo desafio está em aspectos mecânicos. E, sabendo disso, ele explora como poucos essa característica, apresentando um dos designs mais criativos já vistos. Danem-se os Lumas e a princesa Peach. O que importa aqui é explorar e aproveitar a próxima fase, bonita, única e criativa, que são jogadas em nossa direção constantemente. Desde Mario 64 eu tinha dúvidas se meu amor pelo encanador se dava puramente por sentimentos nostálgicos. Super Mario Galaxy 2 prova que não. Ele me mostrou que gosto de jogos do Mario porque ele são bons, e porque eles são os melhores no que fazem.

3- Heavy Rain

De certa maneira, eu fico triste de não poder colocar Heavy Rain como o primeiro item de minha lista. E não é que ele não a encabeça por falta de qualidade. O problema é que 2010 foi um ano no qual os bons jogos foram realmente bons. Digo isso porque quero deixar claro o quanto gosto e o quão importante acho ser Heavy Rain. Não vou entrar na discussão sobre jogos serem arte, mesmo porque eu ainda não tenho certeza de como me posiciono nesse argumento. O que sei é que o título da Quantic Dream mostra a diversidade do que é possível alcançar com videogames. É claro, o jogo está repleto de falhas. As atuações são estranhas e a trama tem furos do tamanho crateras. No entanto, isso tudo é pouco ante às emoções que Heavy Rain suscita. Nós nos simpatizamos com cada um dos personagens, entendendo seus desejos e frustrações, e queremos que cada um deles tenha sucesso naquilo que busca, mesmo que suas vontades venham a ser conflitantes. Eu não estou dizendo que todos os jogos devem buscar ser o que Heavy Rain é. O que digo é que ele mostra o que o meio também pode ser, e certamente seria bom se mais títulos almejassem isso.

2- Mass Effect 2

Quando a Bioware disse que pensava em Mass Effect 2 mais como um jogo de tiro em terceira pessoa com elementos de RPG, achei que ele acabaria desviando demais daquilo que me fez gostar tanto do primeiro. Mas, pelo contrário, acabei por gostar muito mais da continuação. Mais do que a ação melhor elaborada ou a trama (na minha opinião) mais interessante, foram os outros personagens além de Shepard que me fizeram ser sugado por Mass Effect 2. O universo continua tão rico quanto antes, mas a história pessoal de cada um deles é o que acaba trazendo cor ao jogo. Eu acreditava ter visto o ápice disso em Dragon Age: Origins, mas poucos meses mais tarde já havia sido provado errado. Some a isso um sistema de moralidade que foge do maniqueísmo, com implementações fantásticas (nada melhor do que puxar uma arma no meio de uma conversa) e temos um palco no qual nos sentimos verdadeiramente como atores, seguindo pela peça da maneira que achamos melhor.

1- Red Dead Redemption

É engraçado lembrar agora que as minhas impressões nas primeiras horas de Red Dead Redemption foram negativas. O jogo não explicava direito suas mecânicas, algo piorado pela grande quantidade de coisas que podem ser feitas, e diversos bugs deram as caras rapidamente. Mesmo tendo jogado pouco eu já tinha certeza que não haveria como gostar do mais recente título da Rockstar.

Eu não sei dizer exatamente quando que mudei de ideia. Talvez tenha sido quando o cavalo que havia sido dado por Bonnie morreu. Me senti triste com sua morte, mesmo se tratando de um cavalo como tantos outros. Pode ser também que isso tenha acontecido com o desenvolver de John Marston, quando finalmente entendi sua posição em relação ao resto do mundo e como ele lidava com as situações que apareciam à sua frente. Ou talvez minha opinião tenha sido alterada de vez quando desliguei o videogame apenas para perceber que havia passado o dia inteiro jogando, sendo que a maior parte tempo só cavalguei sem seguir objetivos, apenas caçando animais, colhendo plantas, jogando pôquer e liar’s dice.

Seja como for, ao fim das várias e várias horas eu havia sido pego, e já me importava mais com John Marston e o destino de sua família do que com qualquer outro personagem de videogames. Apesar disso, para mim o mais interessante de tudo é a maneira como a história de Red Dead Redemption não tem o foco em uma apenas uma pessoa, mas sim em todas as mudanças de uma época, e como certos indivíduos, adaptados ao velho mundo, não tinham mais lugar. O material de inspiração parece claramente ser Os Imperdoáveis. Mas, enquanto Bill Munny acaba conseguindo encontrar uma maneira de escapar daquilo que lhe espera, usando daquilo que o manteve vivo por todo esse tempo, John Marston se vê acuado pela inefabilidade dos eventos. Isso culmina em um final tão inevitável quão surpreendente, um que faz gelar a espinha e encerra com maestria um jogo que já seria, de qualquer maneira, marcante.

E é por isso que o considero o melhor título de todo o ano.

Uma resposta a Os dez melhores de 2010 (na minha singela opinião)

  1. Um artigo meio antigo. Só queria dar os parabéns. Gostei muito da sua abordagem mais “artístico-sentimental” que técnica. Depois de lê-lo, decidi comprar Red Dead Redemption.

    Joguei o Limbo todo e também gostei muito. No Heavy Rain estou no último origami e também estou gostando demais! Não dá pra parar de jogar!

    Queria conhecer melhor os jogos mais desconhecidos. Estou cansado desses “jogos clichê” do tipo atira-e-corre. Na verdade, nunca gostei deles, e já andava desanimado com o mundo dos jogos por causa disso.

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