GDC 09: Balanço Geral

Abril 1, 2009

gdc09

A GDC acabou. O grosso dela é, infelizmente, inalcançável para nós, já que não temos acesso à grande maioria de suas palestras. Por outro lado, tivemos alguns anúncios muito interessantes. Não é um evento voltado exatamente a isso, mas as grandes empresas sempre usam a oportunidade para liberar algumas coisas, nem que sejam apenas indícios de o que veremos na E3 daqui alguns meses.

A Nintendo em especial não só mostrou, como lançou coisas muito interessantes. A maior delas, sem dúvida, foi o update do firmware de Wii. Agora, finalmente, parte dos problemas de espaço foram resolvidos. Não é algo tão definitivo quanto, digamos, um HD externo. Mas é uma boa solução do mesmo jeito.

iwata_gdc09

Além disso o DSi marcou presença forte. Eu admito que não estava nem um pouco interessado no nova versão do portátil – meu DS Lite é mais do que suficiente para mim. Entretanto, depois de ver algumas das coisas reservadas apenas ao DSi, em particular o DSiWare, esse meu interesse tem mudado.

16459Por outro lado, algo que não me impressionou nem um pouco foi o trailer do novo Zelda. Acho que alguns ficarão contrariados ao lerem isso, mas será que realmente queremos mais um Zelda nesses moldes? Talvez eu esteja me adiantando de- mais, já que vimos apenas alguns minutos do jogo. Mas, com exceção do trem, a sensação que tive foi que já joguei aquele jogo que estava vendo. Os dois itens mostrados parecem ser os mesmos existentes em Twilight Princess, e o esquema de controle provavelmente será o mesmo de Phantom Hourglass. Até mesmo o bendito trem não tem cara de ser muito diferente do barco, com a exceção de andas sobre trilhos.

Em comparação à Nintendo, a Sony e a Microsof não mostraram muitas coisas. Diria que o mais interessante visto (para os jogadores diretamente), foram as novas expansões e o update de Resistance 2, sendo que a primeira já está disponível para compra. E não podemos nos esquecer do badalado OnLive, o sistema que intenciona mudar nossa concepção sobre como jogamos videogames. Será que vai funcionar? E mais, se funcionar, será que pega? O mercado quer isso? As desenvolvedoras de hardware vão ficar quietas? O burburinho inicial já diminuiu bastante, mas provavelmente voltará com a mesma intensidade no final do ano, quando o serviço for lançado.

No geral diria que a GDC de 2009 foi ótima. É uma grande pena não podermos acompanhar mais de perto, os bastidores do mundo dos videogames me interessam muito. Pelo menos em relação às palestras maiores, podemos encontrar descrições de como foram. Para aqueles que estiverem interessados em saber com mais detalhes o que foi dito pelo senhor Kojima, Leigh Alexander do site  Sexy Videogame Land (apenas um dos vários sites ao qual ela escreve) fez a mais detalhada descrição da palestra do pai do Metal Gear que encontrei por aí. Quem estiver interessado, dê uma olhada.

Por enquanto é só. Ficam agora as expectivas para a E3, que, quem sabe, volte ao seu formato antigo esse ano.

Anúncios

Indo A Um Encontro Em Que Todos São Mais Fortes – Impressões de Street Fighter IV

Março 6, 2009

A primeira coisa que gostaria de deixar claro é que não tenho intenções de escrever reviews tanto de Street Fighter IV quanto de Killzone 2. Já tenho ambos em mãos e os tenho jogado há alguns dias. Afinal de contas, qual a serventia de escrever uma crítica sobre esses jogos? Os dois são incríveis no que se propuseram a fazer, eu sei disso, você sabe disso, todos sabem disso. Valem cada centavo de seu valor integral.

Entretanto, para que não passem em branco, gostaria de deixar aqui minhas impressões de cada um dos dois, começando hoje com o mais esperado jogo de luta dos últimos tempos, Street Fighter IV.

885400-street_fighter_iv_playstation_3_ps3_1033

Uma coisa importante a ser dita é que eu nunca fui muito fã deste estilo. Tive alguma experiência com SF II, mas nunca nos arcades; jogava apenas a versão de SNES. Tentei brevemente a mão em alguns outros, como Killer Instinct, Tekken e toda aquela infinidade de jogos Versus (Marvel vs. Capcom, Street Fighter Vs. Marvel etc), portanto não sou nem minimamente entendido em se tratando deste gênero. Mesmo assim me senti tentado a experimentar SF IV devido ao grande alarde sendo feito quanto ao título. Quem ficou ligado ao burburinho pela internet pôde reparar que, para surpresa de muitos, há um grande número de jogadores que, como eu, nunca se interessaram muito por esse estilo de jogo, mas quiseram se arriscar na nova entrada da série da Capcom do mesmo jeito.

E, como você provavelmente já ouviu de todos que o jogaram, Street Fighter IV é fantástico. Gráficos impressionantes, sistema de luta interessante e bem feito, bom sistema online, uma boa quantidade de personagens variados etc. Como já disse no primeiro parágrafo, não há porque repetir isso. O jogo é bom e fim de história. O que quero aqui é deixar minhas impressões; as de alguém que não tem muito costume com o gênero. Para aqueles que estão na mesma situação que eu, há uma coisa que fica clara logo ao colocar o disco pela primeira vez e tentar uma partida: SF IV não é feito para iniciantes.

Acredito que minha experiência ao tentar o online pela primeira vez não foi muito diferente da de cometer um pequeno suicídio. Quando você sai como vencedor de lutas ganha-se os chamados Battle Points. Depois de jogar contra oponentes do mundo por cerca de quatro horas saí com a impressionante quantidade de zero Battle Points. Tenho um impecável recorde composto de 100% de derrotas. Apenas um adendo, entre todas minhas incontáveis perdas, diria que 90% delas foram contra pessoas usando o Ken. Não tenho idéia se ele está entre os tiers mais altos, só sei que a maioria dos jogadores o usam sem dó.

885408-street_fighter_iv_playstation_3_ps3_1025Foi nessa hora que me lembrei de algo interessante que ha- via lido. Pouco antes de seu lançamento a Capcom havia anun- ciado sobre um ro- busto modo de treino. Disse que ele trataria sobre tudo, desde os comandos mais básicos até sequências mais complexas, preparando aqueles que não têm domínio sobre o jogo. Pois muito bem, fui então ver do que é composto este modo. Foi um pouco difícil encontrá-lo inicialmente, uma vez que a seção chamada Training Mode é exatamente igual às encontradas em outros jogos; uma sala branca em que pode-se mudar alguns ajustes quanto à IA de seu oponente. Pouco depois acabei encontrando o que procurava, tratava-se, na verdade, de um modo chamado Trial Mode. Basicamente você deve realizar uma série de comandos apontados pelo jogo, que vão desde o mais básico Hadouken até sequências mais complexas. No começo, tudo bem. Posso não ser experiente, mas acredito que, desde os anos oitenta, não existe alguém que não saiba executar o famoso “meia-lua e soco”. E foi assim, até que cheguei ao quarto nível dos desafios, e foi por lá mesmo que fiquei. Não importava o que eu fizesse, até agora não tenho ideia de como realizar aquela sequência (Se alguém estiver curioso, estava usando a Sakura. A sequência era pulo para frente, soco forte, soco médio, hadouken e focus attack. Caso alguém tenha uma dica para me dar, agradeço). Talvez fosse mais simples fazê-lo caso eu pudesse ver o resultado final, mas infelizmente não há uma opção para se ver um vídeo da sequência toda. Entretanto, o problema não estava apenas em não conseguir completar o que o jogo me indicava; eu não sei dizer para que aquilo que falhei em fazer serve. Não existe nenhum tipo de explicação do por que realizar aquele ataque, em que momentos ele é útil etc. E, sim, tenho consciência de que nenhum jogo de luta faz isso, entretanto no artigo que citei essa era exatamente a promessa  feita pela Capcom.

882013-zangief_001

Tendo falhado miseravelmente neste ponto, que mais restava? O modo arcade é basicamente o modo usado para abrir personagens secretos para, logo em seguida, ser esquecido completamente. Talvez fosse isso que os produtores tinham em mente ao criá-lo, porque não há motivos no mundo que expliquem a qualidade das animações das histórias. Elas são risíveis, ao ponto de que aqui deixo uma recomendação: Não importa se você as viu ou não, pule-as e esqueça-as, porque são vergonhosas. Os diálogos de Gears of War 2 parecem Shakespeare quando comparados àquilo. É incompreensível, um jogo que exala qualidade de todos os seus poros em todos os outros aspectos ter algo desse calibre no meio. É verdade que as histórias de jogos de luta nunca são grande coisa, mas há um limite para o quanto o jogador pode aguentar. E, é claro, a dificuldade do modo arcade também é muito superior às minhas habilidades, mesmo quando jogando no mais fácil de todos os níveis.

A sensação que tenho ao jogar Street Fighter 4 é a de ser um analfabeto segurando uma cópia de Crime e Castigo nas mãos. Eu sei que é um título de qualidade indubitável, mas infelizmente não existe maneira para que eu possa mergulhar em toda sua profundidade; o jogo é completamente inalcançável para mim e, consequentemente, não consigo me divertir ao jogá-lo.