Os dez melhores de 2010 (na minha singela opinião)

Dezembro 21, 2010

Essa é a minha lista pessoal dos dez jogos que mais gostei em 2010. Note que não estou dizendo que eles são necessariamente os melhores. São os dez jogos que, apesar de imperfeições ou problemas, me marcaram e foram mais significativos do que outros.

10- Deadly Premonition

Talvez pareça sacanagem colocar Deadly Premonition nessa lista, tirando a posição de jogos muito bons que mereciam lugares, como Sam & Max: The Devil’s Playhouse e Kirby’s Epic Yarn. No entanto, meu apreço por esse título é absolutamente genuíno. É claro, eu reconheço tudo que há de errado com ele; gráficos terríveis, sistema de combate precário, efeitos sonoros risíveis. No entanto, a maneira como a cidade de Greenvale tem vida, os personagens profundos e bem desenvolvidos e a trama surreal e verossímil fizeram de Deadly Premonition, para mim, um jogo único. É uma pena que muitos irão apenas lembrá-lo como uma piada, pois as qualidades que ele apresenta são de nível verdadeiramente bom, de caráter diferente a quase tudo que existe no meio.

9- Enslaved: Odyssey to the West

Enslaved pode ter um dos piores finais que me vem à memória em tempos recentes, mas isso não muda o fato de que tudo que o precede é maravilhoso. O mundo intrigante, sobre o qual conhecemos mais de pouco em pouco, só é superado pelos personagens principais. Há sutileza em suas ações e emoções, sucesso alcançado igualmente pelos esforços dos atores e da direção. Como disse Tom Bissel no Gaming Club da Slate, “é um videogame no qual os personagens dizem coisas que talvez não sintam e sentem coisas que talvez não digam! É uma história de amor sem que alguém jamais diga “eu te amo.”” Algumas de suas mecânicas são rasas, mas isso não importa. Enslaved é um jogo mais interessante de ser experienciado, e não jogado. E não há nada de errado com isso.

8- Pac-Man Championship Edition DX

Estamos no ano de 2010 e Pac-Man não é apenas novamente relevante, como é também um dos melhores jogos dos últimos tempos. Sem perder sua essência, Championship Edition DX altera a maneira como até então encaramos Pac-Man, transformando o “come-come” em caçador ao invés de caçado. A apresentação moderna apenas complementa esse pacote, que sem que eu percebesse me pegou e me faz passar horas e horas tentando bater o recorde de outros jogadores.

7- Bayonetta

Até o começo desse ano, se você me perguntasse qual era o melhor jogo do gênero hack and slash minha resposta seria automaticamente o primeiro Devil May Cry. Mesmo tendo jogado suas continuações e os God of Wars da vida, nenhum outro jogo jamais me parece tão perfeitamente executado. Os golpes eram todos úteis e na quantidade certa, os inimigos expressavam bem quais seriam seus movimentos através de linguagem corporal sem deixar tudo óbvio e as táticas para se encarar qualquer situação eram variadas e interessantes. E eu achei que essa continuaria sendo minha resposta para sempre, até que Bayonetta apareceu em minhas mãos. Toda a jogabilidade de Devil May Cry foi aprimorada, estando ainda mais justa e sintonizada do que fora antes. Mas, principalmente, é a insanidade – ou o ridículo, se você preferir – que fazem de Bayoneta tudo que ela é. Eu sou automaticamente fã de qualquer coisa que se regojiza no próprio ridículo, mas o jogo da Platinum Games leva isso a níveis que eu não achava serem possíveis, com um resultado fantástico.

6- Starcraft II

Eu nunca fui um grande fã de jogos de estratégia em tempo real por uma razão: eu sou péssimo neles. Por causa disso, sempre me mantive distante do gênero na maior parte do tempo. Eu havia jogado o primeiro Starcraft, mas nunca havia conseguido nem chegar ao final da campanha, o que fez com que eu duvidasse que fosse aproveitar muito sua continuação. Rapaz, como eu estava errado. Em seu cerne, Starcraft II não reinventa a roda, nem altera completamente o estilo. Ele simplesmente pega o que já havia sido feito antes e aprimora, até que o material fique perfeito. As mudanças principais são periféricas à mecânica principal, através da conectividade da Battle.net e da narrativa que acontece na nave de Raynor. São coisas que podem parecer simples, mas fazem com que o jogador se conecte àquele mundo e se identifique com os personagens, algo difícil de ser feito em um gênero no qual não controlamos ninguém em específico – apenas várias unidades, às vezes completamente descartáveis. Mesmo não tendo explorado muito o multiplayer, a campanha de Starcraft II é significativa e mais do que o suficiente para que eu o reconheça como um dos melhores jogos do ano.

5- Limbo

Falar de Limbo é algo complicado pois o jogo suscita sentimentos que não sei direito como explicar. É uma estranha sensação de estar sendo sempre observado, com a expectativa de que algo pule subitamente das sombras, me pegue pela mão e me mostra o mundo em toda sua plenitude, explicando todos os mistérios, lógicas e segredos que por ele se escondem. Ao mesmo tempo, parte do sentimento dita não apenas que isso não pode jamais acontecer, como sabe perfeitamente que isso nunca acontecerá – e se sente feliz e decepcionado que isso seja assim. E, no fim, tudo que resta é caminhar vagarosamente, tentando aproveitar ao máximo o que pode ser visto a cada passo dado. Sei que isso não é claro, mas creio que é exatamente por isso que Limbo é um jogo maravilhoso.

4- Super Mario Galaxy 2

De toda essa lista, Super Mario Galaxy 2 é provavelmente o jogo mais “videogame” de todos. Ele basicamente ignora diversos dos avanços que o meio teve nos últimos anos, mas não digo isso de maneira negativa. Super Mario Galaxy 2 faz isso com consciência, pois ele sabe precisamente o que ele é – um jogo de plataforma, cujo desafio está em aspectos mecânicos. E, sabendo disso, ele explora como poucos essa característica, apresentando um dos designs mais criativos já vistos. Danem-se os Lumas e a princesa Peach. O que importa aqui é explorar e aproveitar a próxima fase, bonita, única e criativa, que são jogadas em nossa direção constantemente. Desde Mario 64 eu tinha dúvidas se meu amor pelo encanador se dava puramente por sentimentos nostálgicos. Super Mario Galaxy 2 prova que não. Ele me mostrou que gosto de jogos do Mario porque ele são bons, e porque eles são os melhores no que fazem.

3- Heavy Rain

De certa maneira, eu fico triste de não poder colocar Heavy Rain como o primeiro item de minha lista. E não é que ele não a encabeça por falta de qualidade. O problema é que 2010 foi um ano no qual os bons jogos foram realmente bons. Digo isso porque quero deixar claro o quanto gosto e o quão importante acho ser Heavy Rain. Não vou entrar na discussão sobre jogos serem arte, mesmo porque eu ainda não tenho certeza de como me posiciono nesse argumento. O que sei é que o título da Quantic Dream mostra a diversidade do que é possível alcançar com videogames. É claro, o jogo está repleto de falhas. As atuações são estranhas e a trama tem furos do tamanho crateras. No entanto, isso tudo é pouco ante às emoções que Heavy Rain suscita. Nós nos simpatizamos com cada um dos personagens, entendendo seus desejos e frustrações, e queremos que cada um deles tenha sucesso naquilo que busca, mesmo que suas vontades venham a ser conflitantes. Eu não estou dizendo que todos os jogos devem buscar ser o que Heavy Rain é. O que digo é que ele mostra o que o meio também pode ser, e certamente seria bom se mais títulos almejassem isso.

2- Mass Effect 2

Quando a Bioware disse que pensava em Mass Effect 2 mais como um jogo de tiro em terceira pessoa com elementos de RPG, achei que ele acabaria desviando demais daquilo que me fez gostar tanto do primeiro. Mas, pelo contrário, acabei por gostar muito mais da continuação. Mais do que a ação melhor elaborada ou a trama (na minha opinião) mais interessante, foram os outros personagens além de Shepard que me fizeram ser sugado por Mass Effect 2. O universo continua tão rico quanto antes, mas a história pessoal de cada um deles é o que acaba trazendo cor ao jogo. Eu acreditava ter visto o ápice disso em Dragon Age: Origins, mas poucos meses mais tarde já havia sido provado errado. Some a isso um sistema de moralidade que foge do maniqueísmo, com implementações fantásticas (nada melhor do que puxar uma arma no meio de uma conversa) e temos um palco no qual nos sentimos verdadeiramente como atores, seguindo pela peça da maneira que achamos melhor.

1- Red Dead Redemption

É engraçado lembrar agora que as minhas impressões nas primeiras horas de Red Dead Redemption foram negativas. O jogo não explicava direito suas mecânicas, algo piorado pela grande quantidade de coisas que podem ser feitas, e diversos bugs deram as caras rapidamente. Mesmo tendo jogado pouco eu já tinha certeza que não haveria como gostar do mais recente título da Rockstar.

Eu não sei dizer exatamente quando que mudei de ideia. Talvez tenha sido quando o cavalo que havia sido dado por Bonnie morreu. Me senti triste com sua morte, mesmo se tratando de um cavalo como tantos outros. Pode ser também que isso tenha acontecido com o desenvolver de John Marston, quando finalmente entendi sua posição em relação ao resto do mundo e como ele lidava com as situações que apareciam à sua frente. Ou talvez minha opinião tenha sido alterada de vez quando desliguei o videogame apenas para perceber que havia passado o dia inteiro jogando, sendo que a maior parte tempo só cavalguei sem seguir objetivos, apenas caçando animais, colhendo plantas, jogando pôquer e liar’s dice.

Seja como for, ao fim das várias e várias horas eu havia sido pego, e já me importava mais com John Marston e o destino de sua família do que com qualquer outro personagem de videogames. Apesar disso, para mim o mais interessante de tudo é a maneira como a história de Red Dead Redemption não tem o foco em uma apenas uma pessoa, mas sim em todas as mudanças de uma época, e como certos indivíduos, adaptados ao velho mundo, não tinham mais lugar. O material de inspiração parece claramente ser Os Imperdoáveis. Mas, enquanto Bill Munny acaba conseguindo encontrar uma maneira de escapar daquilo que lhe espera, usando daquilo que o manteve vivo por todo esse tempo, John Marston se vê acuado pela inefabilidade dos eventos. Isso culmina em um final tão inevitável quão surpreendente, um que faz gelar a espinha e encerra com maestria um jogo que já seria, de qualquer maneira, marcante.

E é por isso que o considero o melhor título de todo o ano.

Anúncios

Novo só no nome – Review the Tales of Symphonia: Dawn of The New World

Abril 13, 2009

Imagine a seguinte situação: É uma tarde de um dia qualquer e você liga sua televisão. Um filme que você nunca viu está passando, mas você parece reconhecer o nome de alguns personagens. Pouco tempo depois, você percebe que se trata de uma continuação de um filme do qual gosta muito, porém nenhum dos atores que participaram da filmagem original estão presentes. Não só isso, como todos os aspectos – roteiro, direção, níveis de produção – parecem inferiores aos do filme que você já viu. No fim das contas, tratava-se de uma daquelas continuações que utilizam de um nome de sucesso para facilmente atrair o público – e seu dinheiro – mas que, no entanto, tem apenas uma parcela de qualidade do trabalho original. Esta é a sensação que Tales of Symphonia: Dawn of the New World transmite ao jogador.

720057-942210_20081007_screen033

Emil, o protagonista do novo Tales of Symphonia

A história se passa dois anos após o final do primeiro jogo, e abre de maneira bem interessante. Desta vez temos o controle de Emil, o novo personagem principal, que diz ter tido seus pais assassinados por Lloyd, ninguém menos do que o herói da trama original. Entretanto, não se anime. A razão é muito menos imaginativa e intrigante do que você pensa. Além disso o jogo não cria uma tensão para que, quando a revelação ocorra, caia como uma bomba em seu colo; ela é dita como se fosse algo tão trivial quanto um “bom dia”. Grande parte dos diálogos parecem estar fora de lugar e são anti-climáticos. Tudo que deveria chocá-lo passa despercebido, tamanha a inabilidade do título em contar sua história. Soma-se a isso o problema da tradução. Os atores conseguem fazer um bom trabalho e interpretam bem seus personagens, em compensação os textos apresentam sérios problemas. Ele varia de frases mal escritas e mal articuladas até totalmente incompreensíveis. Isto faz com que a intenção dos personagens soe estranha, temos a impressão de que eles não transparecem honestidade. As atitudes de cada um, por sua vez, acabam parecendo forçadas e fora de contexto. É fácil perceber logo de cara que um trabalho cuidadoso não foi dado à tradução. Qualquer revisão um pouco mais minuciosa teria evitado a maioria dos erros encontrados. Entretanto este desleixo mostra claramente que o título foi feito às pressas. Aliás, este é um problema comum ao jogo todo.

Dawn of the New World cheira à produção acelerada em várias camadas. A primeira coisa a ser reparada, e a mais evidente delas, está em seus gráficos. Eles são iguais ou inferiores à versão de Gamecube e não há desculpas para isso. Todos sabem que o Wii não tem grandes capacidades gráficas quando comparado aos outros consoles da geração atual, no entanto ele é mais do que capaz de produzir coisas mais bonitas do que as vistas na plataforma anterior da Nintendo – nós já vimos isto. É evidente que faltou capricho; nem mesmo quando você libera os golpes mais fortes em combate, cada um com sua animação especial, algo te chamará a atenção. Na verdade, é mais provável que você fique entediado de ver a mesma animação sem graça, de novo e de novo, a ponto de simplesmente parar de usar os tais golpes.

720021-942210_20081007_screen008Tédio é uma palavra que cabe bem ao combate do novo Tales of Symphonia. Raramente é neces- sário apertar mais do que um botão para ganhar as lutas. Ainda é possível utilizar as Artes – o equivalente a magias no jogo – mas isso quase nunca é necessário. Além disso, as Artes de Emil são pouco diversificadas, parecendo, na maior parte do tempo, apenas variações das que você tinha no início de sua aventura. Nem mesmo contra os chefes o ritmo das batalhas muda. Talvez você tenha que pausar o jogo e usar um item de cura uma vez ou outra, mas, tirando isso, o esquema é o mesmo. Aperte o botão A até que a vida dele se esgote e continue a história.

283952-9Há, entretanto, um ponto muito inte- ressante relacionado aos combates, mas infelizmente muito mal explorado. Devido a eventos re- lacionados à trama, é possível que Emil crie pactos com os monstros vencidos em batalha, fazendo com que eles se juntem à sua equipe. O sistema de captura é bem simples, mas funcional e interessante de ser feito. Com exceção dos chefes e algumas lutas especiais, é possível capturar todos os monstros do jogo. É verdade que na maioria das vezes encontramos o mesmo modelo de inimigo em diversas dungeons, apenas com cores diferentes. Mas, ainda assim, a variedade é bem grande e alguns deles são muito interessantes. É muito divertido usar uma nova combinação de monstros em momentos diferentes já que seu ataque em equipe muda, mesmo que pouco, dependendo dos elementos dos companheiros sendo usados. Porém, como dito acima, há um grave problema com isso. O primeiro deles reside no fato de que você nunca estará sozinho. Marta – a outra protagonista deste título – e um ou dois membros da equipe do jogo original o acompanharão a todos os momentos. Você pode até ignorar o fato de que os personagens humanos têm habilidades e golpes muito mais variados e interessantes do que os monstros, além de serem muito mais fortes. Contudo, não é possível deixar de lado que monstros não podem usar itens em combate. É verdade, ainda é possível fazê-lo com Emil. Só que isso quer dizer que, caso Emil morra no meio de uma luta, é Game Over instantâneo. Não há nem a possibilidade de apenas assistir o resto do confronto e torcer para que seus monstros dêem cabo dos inimigos. E isto não acontece caso você tenha humanos em sua equipe, já que pode comandá-los a usar um item de ressurreição e continuar a luta normalmente.

Marta, a outra protagonista do título
Marta, a outra protagonista do título

A falta de capricho também transparece em alguns outros pontos. São detalhes que mostram o quão pouco atencioso os produtores foram. Por exemplo, o menu de compra e venda de equipamentos é um dos mais truncados e sem sentido possíveis. Em toda a aventura, só podemos trocar o equipamento de Emil e Marta, os outros companheiros humanos sempre terão um equipamento impossível de ser alterado. Por alguma razão desconhecida, a opção “equip” do menu de compra permite apenas acessar os equipamentos de Emil. Para que vejamos os de Marta, é necessário sair do menu de compras e ir a menu geral, onde também é possível trocar o de Emil. Não há sentido ou utilidade para o menu encontrado dentro da loja de compras, já que ele permite que você equipe apenas um de seus personagens. Outro fato incompreensível está na venda de itens. É possível vender apenas um tipo de item de cada vez. Por exemplo, você decide vender as armaduras que não está usando. Seleciona, então, as que quer vender e confirma. Isto, instantaneamente, faz com que você volte à tela principal de compra e venda de itens. Você tem de novamente selecionar a opção “vender”, escolher um outro tipo de item e repetir todo o processo. Mais um fator extremamente irritante é que, cada vez que alguém se une ou vai embora de seu time, uma mensagem aparece para informá-lo de que sua formação mudou. Isto não seria problema nenhum, se não fosse pelo pequeno detalhe de que personagens saem de seu time constantemente para, segundos depois, retornarem. E todas as vezes que fizerem isso, lá estará a mensagem avisando o que aconteceu. Grande parte dessas reclamações podem soar como meras trivialidades, como se eu estivesse dando atenção demais a pequenos detalhes que não causam um impacto tão negativo ao jogo. Até certo ponto é verdade, admito. No entanto, é exatamente o acúmulo de detalhes como esses que mostram a falta de cuidado tido com o título. Podem não ser empecilhos muito grandes à jogabilidade, mas não são, de maneira nenhuma, pontos que podem ser visto como positivos. São mostras de desleixo, algo inaceitável vindo de uma empresa do calibre da Namco.

Todos os protagonistas do Tales of Symhponia original fazem aparições

Todos os personagens importantes do Tales of Symhponia original fazem aparições

A aventura dura cerca de vinte e cinco horas, curto para o gênero, mas um alívio para o jogador neste caso. Mesmo ignorando todos os problemas já citados, o restante de Dawn of the World consegue, no máximo, alcançar a mediocridade. A estrutura do jogo segue a mesma dos RPGs clássicos: a coleta. Lembra como no primeiro Final Fantasy tínhamos que viajar pelo mundo para restaurarmos cada um dos orbes? Ou quem sabe você se lembre de pegar espadas, braceletes e orbes de todos os elementos em Crystalis? Talvez tenham lembranças de ir atrás de todos os crests em Dragon Warrior? De qualquer maneira, o que quero dizer é que este Tales of Symphonia segue o padrão mais velho dos RPGs. Não estou falando mal de nenhum dos três jogos citados acima, eram estruturas interessantes antes, na época em que esta era algo novo. Hoje em dia essa progressão não funciona, é apenas chata e previsível. E até mesmo neste simples sistema Dawn of the New World falha. O ritmo em que coletamos os Centurions Cores (o itens que precisamos pegar no jogo) é completamente descompassado. Às vezes parece que a trama principal está progredindo, mas em muitos outros momentos estamos fazendo os desvios mais estúpidos e sem sentido possíveis. É tão óbvio se tratar de uma artimanha para artificialmente aumentar a duração do jogo que chega a causar vergonha. Para piorar, a esmagadora maioria das dungeons que você visitará são exatamente as mesmas encontradas no título original. A única diferença está no fato de que quase todas sofreram alguma catástrofe, tornando-as menores. Ou seja, não só o cenário é o mesmo, como a área de exploração é ainda menor, tornando uma já tediosa tarefa em algo ainda mais sem graça. Da mesma maneira que aconteceu com seu predecessor, demora-se demais até que os eventos verdadeiramente importantes da trama apareçam, e quando eles o fazem vêm todos de uma só vez.  Não que a história seja complexa ou difícil de compreender. Mas essa certamente não é a maneira mais hábil de contá-la.

Tales of Symphonia: Dawn of The New World é apenas uma sombra do primeiro Tales of Symphonia. A única coisa que o separa do completo anonimato é o fato de ser continuação de um jogo de sucesso, que por sua vez pertence a uma franquia bem popular. Somente os fãs fervorosos da série, ou aqueles famintos por qualquer RPG no Wii, encontrarão satisfação aqui. Ao restante, fiquem longe. Existem coisas melhores a serem jogadas.